Caros Kambas

Há muito que não vos escrevo. Não é só uma questão de falta de tempo, é porque há sempre muito para vos contar. Os dias vão passando e com eles o desejo que continuem comigo como têm feito até este momento. Têm sido uma boa companhia, dão-me sempre muita força e coragem. Quando estamos longe dos habituais portos de abrigo estes abraços são deveras importantes. Hoje sento-me com a sensação que tenho mesmo muito a dizer. Estes últimos dias têm sido muito intensos, como têm sido estes já quase três meses. Continuamos com muita vontade de aqui estar e de aqui trabalhar. Apesar das habituais dificuldades, tenho sido muito feliz aqui. 

Hoje decidi fazer um ideário ilustrado. Cá vai ele....

 

Os sempre amigos Dehonianos, que entretanto foram para a sua casinha no Km 9. Fazem-me falta, são uma presença muito familiar e simpática.  Comunidade composta por 3 padres, dois madeirenses e um italiano. Nesta fotografia está o Pe. Domingos. Ao lado, o Pe. Joaquim e o Pe. Madella. Grandes senhores e bons amigos. As Anas em Luanda, num simpático parque infantil. A vontade de voar persiste e estar a viver este sonho aqui é concerteza uma boa oportunidade para se poder voar. 
A fera demonstra sempre a sua garra. Mulher de armas, esta menina doce, frágil, detentora de um sorriso e um ser formidáveis.  Grande amigo, o Jeremias. Sempre que pode visita-nos e convida-nos para kizombadas no seu quintal. É o verdadeiro homem dos contactos. Exige sempre aquilo a que ele chama o "preço da Igreja". As Anas com o sempre comovente anjo da guarda, Pe. Cachadinha. 
O nosso anjo mais de perto. Neste dia fomos a sua casa numa visita surpresa e passeámos com ele e com o Jeremias por Luanda. Aqui estamos no Paço Episcopal, lugar muito simpático e acolhedor onde funciona o Bispado de Luanda.  Um pormenor do jardim do bispado. O Pe. Cachadinha contou-nos que em tempos este jardim era um verdadeiro oásis. Ainda assim hoje este é um espaço muito simpático e bom para se ficar por uns momentos.  Continuamos a conhecer verdadeiros heróis deste país, consagrados que entregam as suas vidas a este povo singular. A Irmã Maria José é concerteza uma dessas fortalezas deste país. 
Paço Episcopal de Luanda.  Sempre o jardim. Sempre a calma.  Os meninos que vamos encontrando nos nossos dias e nos nossos passeios a pé em Luanda. Os seus olhos brilham sempre que vêm uma máquina por perto e quando percebem que estamos interessadas nas suas vidas. Os seus sorrisos são sempre generosos. 
A nossa Páscoa muito familiar na casa da Dona Celeste, portuguesa que trabalha cá há muitos e muitos anos. Um almoço com sabor a casa.  Este "senhor" não só é uma pessoa que nos tem apoiado muito. Tem sido um bom companheiro e amigo. Já lhe demos o "estatuto" de mano. Dono de uma tranquilidade e serenidade difíceis de encontrar. Quando foi a Lisboa levou uma encomenda para os meus pais e descobriu que o meu pai andou no seminário dos Claretianos, congregação da qual faz parte. O mundo é sempre mínimo!!  Os laços que vamos criando nestas andanças missionárias. 
A caminho da ilha de Luanda temos sempre estes rebuçados que nos fazem pensar nas maravilhas do Criador. Palavras para quê? Contemplemos somente o silêncio do crepúsculo.  "Feliz do que acredita sem ver"
Uma visita muito importante para as Anas, esta a dos Leigos para o Desenvolvimento que estão a trabalhar no Uíge, província do norte de Angola. A Elisa, a Maria, a Vanessa e o Luís foram uma inspiração e um incentivo para continuar. Bela comunidade, a destes 4 meninos.    A caminho do Bom Jesus, a Elisa e a Maria, num momento musical muito melodioso.    É caminhando que se faz caminho. É mais fácil percorrê-lo quando encontramos pessoas que nos ajudam a crescer! 
O Bom Jesus, nos arredores de Luanda, onde há uma fábrica da coca-cola e onde o rio Kwanza (que também dá nome à moeda) aparece com todo o seu esplendor. 
A calmia.. À falta de um melhor baloiço recriam-se as aventuras do Tarzan, desta vez em andanças aquáticas.. Nas margens dos rios, aproveita-se a presença da água, bem precioso e escasso em muitas casas deste país. 
As três princesas, tentadas a tratar por tu o rio Kwanza.  Já há muito que desejava conhecer o tão famoso centro de meninos de rua Arnaldo Jansen, também conhecida por obra do Pe. Horácio, padre argentino se de dedica a dignificar muitas vidas.  Cantaram para nós, olharam-nos...
quiseram saber quem somos... o que fazemos... de onde vimos..
quem cuida de nós.. o que estudamos... como nos divertimos..
falaram do FCP, mas eu preferi falar do Benfica.. desfilaram para a nossa máquina, com uma vaidade ingénua de quem gosta de se ver no visor da digital.. escolheram a melhor pose, o melhor momento..
brincaram, sorriram, deram-nos muito mais do que algum dia imaginarão. Fizeram-nos sentir muito felizes.. O olhar diz tudo. Não adiantarei mais nada!  Ir ao teatro aqui é algo de extraordinário. Aqui falava-se da lei da terra, de direitos, de conflitos, de oportunidades. Um grande momento cultural..
para além de ser muito pedagógico, este é um teatro muito próximo das pessoas.  Penso que já vos falei deste grande artista chamado Amorzinho. É o tal que faz torneios em toda Angola. Talvez ainda ouçam falar dele daqui a uns bons anos, seja lá por que razão... O dia de aniversário da Ana mais pequena foi passado em boa companhia num lugar maravilhoso, na famosa Ilha do Mussulo. 
não só aproveitámos muito bem este dia como lembrámos as aventuras do dia anterior, quando preparámos uma festa surpresa à Ana mais pequena e ficámos como que fora do nosso palácio, assobiando na esperança que alguém viesse socorrer as princesas...(recordo que o nosso palácio fecha às 22h30, por isso qualquer tentativa de fuga tem as suas consequências)

"Sê paciente, espera

que a palavra amadureça

e se desprenda como um fruto

ao passar o vento que a mereça"

Eugénio de Andrade 

A menina Concha que nos presenteou com a sua visita durante uma semana. Bem ladeada por mais um dos candidatos a manos de seu nome Paulo, que é só daquelas pessoas que não existem de tão generosas que são... A boa companhia de que vos falei. Conversa sobre os astros, os ascendentes, o transcendente.  Vou escusar-me de comentar estas próximas fotografias porque infelizmente não tive a oportunidade de me deslocar com a minha comunidade e com os restantes membros do grupo a Cabo Ledo. 
Está concordante com o seu nome, Miradouro da Lua, já que a paisagem, as imperfeições da terra, o cheiro, a cor nos remetem para esse outro planeta.. Confirmar "Procura-se um amigo" de Vinicius de Moraes 
A Ana mais pequena, como muitos chamam, tem, de vez em quando, ideias muito singulares de como ocupar o tempo. O resultado está à vista, espero pelos vossos comentários! peço-vos de novo comentários, mas por favor sejam generosos...
A nossa Filipa anda a desenvolver as suas tendências artísticas.. "fica tão fácil entregar a alma
a quem nos traga um sopro do deserto
olhar onde a distância nunca acalma
esperando o que vier de peito aberto"
Mafalda Veiga
Amar é caminharmos lado a lado.. ..amar é repartir com o outro a minha alegria... ...amar é distribuir sorrisos.
Esta é para todos vós, a quem gosto de sorrir olhando.  "deixar-me-ei levar por quem me souber levar"
"O tempo não interessa, disse a morte à mulher antiga, mas sim o imenso aproveitar de cada momento" 
No escritório, vulgo quarto do lar, fazendo a contabilidade da comunidade. 
Da varanda do nosso quarto, vulgo escritório, a vista é esta. Apesar de perturbadora, 
Sala da Assembleia Nacional onde decorreu o seminário dos escuteiros da Zona Austral. Durante uma semana  O chefe nacional da Associação de Escuteiros de Angola a discursar no seminário. O Rui tem sido muito atencioso com a dupla maravilha.  As Anas no secretariado do seminário. 
O CNE (Corpo Nacional de Escutas) em grande força, com a presença do ilustríssimo João Teixeira.  Muito interessante a estadia deste ilustre do escutismo português. Demonstrou ser um bom amigo, dedicado e atencioso com as meninas Anas.. Conferencistas prestando muita atenção ao Programa de Adultos proposto neste seminário. 
Cerimónia de abertura do Congresso da Zona Austral.  Na cerimónia de abertura houve uma espécie de dança de uma tribo do sul. Sempre o ritmo alucinante, os passos acelerados... sempre a música que nos envolve demasiado..
Este seminário confirmou a fraternidade que tenho sentido da família angolana. Sinto-me parte, sinto-me acolhida. Cinco estrelas. 
A caminho de Malanje, província que visitámos há menos de uma semana. Foi uma viagem algo conturbada com direito a 3 pneus furados.  Entre as 11h da manhã e a 1h do dia seguinte o entusiasmo e a boa disposição marcam a sua presença assídua na comunidade das Anas.. Este caminho era percorrido pelo meu José que trabalhava em Malanje e ia todos os fins-de-semana visitar a sua amada a Luanda, hoje esposa e mãe dos seus filhos. O amor tem destas coisas..
Hoje se ele quisesse continuar esta proeza demoraria o triplo do tempo e danificaria as suas belas costas de tanto buraco na estrada! "Noites africanas langorosas,

     esbatidas em luares...,

     perdidas em mistérios...

     Há cantos de tunguruluas pelos ares!...

 Noites africanas endoidadas,

     onde o barulhento frenesi das batucadas,

     põe tremores nas folhas dos cajueiros..."

Alda do Espírito Santo

"Sede...Tenho sede dos crepusculos africanos,

     todos os dias iguais, e sempre belos,

     de tons quasi irreais...

     Saudade...Tenho saudade

     do horizonte sem barreiras...,

     das calemas traiçõeiras,

     das cheias alucinadas...

     Saudade das batucadas

     que eu nunca via

     mas pressentia

     em cada hora,

     soando pelos longes, noites fora!..."

			Alda Lara

A Sé Catedral de Malanje, onde participei na missa das mãmãs em Kimbundo, língua nacional. A cidade de Malanje, deveras destruída pela guerra, deve ter sido uma cidade belíssima há uns anos.. E será certamente uma cidade memorável dentro de pouco tempo..
As instalações da rádio Ecclesia em Malanje.
Uma das formadoras, que por acaso sou mesmo eu, num complicado exercício intelectual. Os estúdios da rádio em Malanje.
Equipa a pensar no futuro. O Paulo e a Vitória, jornalistas da rádio, demonstraram uma grande vontade de aprender. O Pedro, director da rádio, pensando como vai dinamizar esta equipa que agora nasce. A seu lado, a Irmã Maria, a responsável pela logística do projecto e nossa companheira de viagem.
A equipa local com as formadoras. A equipa local com a Irmã Maria. Rosário, um dos guardas da rádio, com quem tive a oportunidade de conversar animadamente.
Em Malanje estivemos com o grupo de professores da FEC: a Ana, o Rui e o Sérgio. Acolheram-nos na sua casita, mostraram-nos as suas fotografias, contaram-nos as suas histórias, as aventuras e desventuras. Encontro bom, este, que repetimos no dia seguinte.
O caminho de regresso a Luanda não foi tão difícil. Desta vez só foi um pneu furado! Pudemos ver o que tínhamos perdido na ida à noite. Fomos parando pelo caminho. Esta aproximação aos kimbos é sempre uma possibilidade de conhecer a Angola profunda.
Nunca na minha vida vi tantas crianças como nestes últimos meses. É impressionante. E quando nos olham fazem-nos pensar em muitas coisas.
Sem palavras.. As Pedras Negras a caminho de Malanje.
As duas meninas que nos acompanharam na viagem. Sempre prontas para uma brincadeira, deram à viagem um toque de mestre..
O Xiquito que nos conduziu nesta viagem. Muito divertido e bem disposto torna qualquer viagem uma aventura memorável! A Irmã Maria, aproveitando o tempo de paragem para descansar. Este frango foi saboreado às 10 da manhã. Difícil de imaginar? Sem outra possibilidade de rechear o pão, temos de nos adaptar às circunstâncias existentes.
São servidos?